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domingo, janeiro 20, 2008

Só - Edgar Allan Poe




Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.


Edgar Allan Poe

Entender...

Perdi tanto tempo tentando entender,
o que não se pode,
que nunca me encontrei...
o que restou até agora,
foram incertezas e insegurança.

domingo, janeiro 13, 2008

Decepção




Acho que eu gosto tanto de andar pelo Centro velho de São Paulo,

até mesmo pela Paulista

porque ali...

ninguém me conhece,

não enxergam meus defeitos...

não sabem da minha solidão,

da minha insegurança e decepção comigo mesma.

Não podem ver o que sinto quando algo de errado acontece.

E me entristece.

Que me cobro demais,

e sofro antecipadamente...

e não mudo meu caminho.

Me humilho, me rejeito

e não acho uma solução melhor pra isso.




Inspiração


A criatividade está nublada...
um tanto quanto apagada.
Não quer iluminar a minha mente...
perturbada.
Desânimo faz parte,
incertezas também...

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Matéria Revista Entrelivros


Entre o escuro e o esplendor

Fuks recria os últimos dias de Borges, Cabral e Joyce, marcados pela cegueira e pelo gênio literário

por Ricardo Lísias


HISTÓRIAS DE LITERATURA E CEGUEIRA Julián Fuks, Record, 160 págs., R$ 30

Antes de publicar Histórias de literatura e cegueira, Julián Fuks lançou, em 2004, Fragmentos de Alberto, Ulisses, Carolina e eu. Os dois livros são muito diferentes, mas já no primeiro ficava evidente a preocupação estilística do autor, que parece disposto a criar um estilo elaborado, elegante e muito cuidadoso. Se acrescentarmos o fato de que Histórias de literatura e cegueira revela também uma enorme disposição de leitura e, por fim, um respeito maduro pelos clássicos, podemos apontar Julián Fuks como um escritor que se destaca de outros da nova geração.
O livro ficcionaliza o final da vida de três escritores que, além do fato de serem já clássicos, tiveram em comum o destino de perder a visão. O fenômeno da cegueira foi tão marcante para Jorge Luis Borges, João Cabral de Melo Neto e James Joyce que praticamente se incorporou à descrição de suas obras e às respectivas histórias literárias da Argentina, do Brasil e da Irlanda. Fuks imagina três vidas perdidas entre o escuro da vista e o esplendor de textos marcantes e, com perdão do trocadilho, luminares para cada uma das três tradições. É esse choque entre o olhar cego de Borges, Cabral e Joyce e a força de sua literatura que prende o leitor a cada uma das lapidares páginas de Histórias de literatura e cegueira.Nos três textos, o constante ir e vir temporal ordena o espaço melancólico mas muito diferente para cada um deles.
Borges passeia entre a Genebra que acolheu seus últimos dias e a Biblioteca Nacional Argentina, seguramente o lugar de que ele mais gostava no mundo. Maria Kodama o acompanha em alguns momentos, e a imaginação onírica, que parece ter sido uma de suas principais obsessões, toma praticamente conta de tudo e faz o texto terminar com um ruído ao longe, misto de imaginação e lembrança. O final do primeiro texto é comovente.
Para o poeta brasileiro, Fuks reservou descrições minuciosas com um diálogo seco, tudo muito adequado à obra de João Cabral. Nesse segundo texto, a plasticidade toma lugar do onirismo, e uma cena muito cotidiana, um atropelamento, encarrega-se de trazer tudo para o plano do palpável. A história é triste e produz efeito marcante: o jornalista que vai entrevistar o poeta nota em seus olhos cegos uma grossa camada líquida, que ele não sabe o que é. Já nos nossos olhos, de leitores, são as lágrimas, que desse segundo capítulo não passam.
A terceira história, sobre Joyce, é a que mais evidencia a disposição de pesquisa de Fuks. Depois das duas anteriores, muito comoventes, esta última é mais colorida, um pouco exótica e bastante feliz na tentativa de parodiar o estilo joyceano. O autor de Ulisses briga com a esposa e se vê soterrado por uma montanha de cartas recusando o seu livro. O irmão o aborrece e ele já não enxerga nada direito, muito embora esteja disposto e preparado a compor o enorme raio de luz que é o Finnegans Wake. Em nenhum dos três textos Julián Fuks se deixa levar pela comiseração e muito menos sente pena da situação dos três escritores cegos, privados da melhor coisa que existe no mundo, a leitura. De fato, Borges, Cabral e Joyce merecem muita coisa, mas não pena.
Enfim, um livro como esse, ao mesmo tempo uma homenagem e uma espécie de declaração de amor, eles sem dúvida merecem.
E nós, leitores, também merecemos: vale a pena tatear entre a bruma contemporânea, pois no meio do nevoeiro existem pessoas fazendo literatura, e muito boa literatura, por sinal!

sexta-feira, janeiro 04, 2008

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Pulso

Meu coração ainda pulsa...
meu pulso tb...
estou viva,
afastada,
arrasada às vezes,
mas aqui.

terça-feira, dezembro 25, 2007

POESIA

"A poesia não quer saber o que há no fim do caminho.
A poesia procura, se contempla, se funde e se anula nas cristalizações da linguagem".

Octavio Paz

2008

Este ano não farei listas.
Não as arquivarei em minhas gavetas.
Prometi a mim mesma que não ia me arrepender de as ver lá no fundo e não fazer nada.
Não prometerei nada a ninguém,
assim sofrerei menos quando ver que não cumpri essas promessas...
tolas,
que nos motivam na hora e depois são esquecidas.
Minha palavra para 2008: BELIEVE.
Quero mais do que nunca acreditar em mim e não prometer nada...
à ninguém,
nem a mim.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Dar...não é fazer amor

DAR...NÃO É FAZER AMOR

(Luiz Fernando Veríssimo)

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar...
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um "eu te amo" baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.
Experimente ser amado...
"A vida é a arte de tirar conclusões suficientes de dados insuficientes"

terça-feira, dezembro 11, 2007

Saudades

Hoje acordei com saudades.
De um tempo em que eu não entedia metade do que sei hoje.
Tempos em que não havia solidão e tudo era feliz.

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Amar remete a uma dificuldade... nem por ser de idade ou por conta da cidade. A dificuldade estah na vaidade. Amamos menos aos outros......